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Hélcio Lenz    |   15/10/2026   |   Logística Inteligente   |  

Nearshoring é só o primeiro passo: o diferencial está na execução

Exclusiva

Como um dos líderes de operações logísticas na América Latina, percebo o entusiasmo em torno do nearshoring – estratégia de transferir a produção, os fornecedores e/ou os centros de distribuição para países ou regiões geograficamente próximos do consumidor final. É um movimento que nasceu para dar mais previsibilidade às cadeias de suprimentos globais e corrigir problemas que eram causados pelas grandes distâncias, trazendo consigo benefícios como agilidade no atendimento, menor custo de estoque com entregas curtas e frequentes, e a mitigação de riscos, com a diminuição da vulnerabilidade e interrupções drásticas na cadeia de suprimentos.

Trazer a estratégia do nearshoring ao Brasil oferece uma vantagem que poucos concorrentes na região conseguem apresentar: uma matriz elétrica que já chegou a 86,8% de fontes renováveis em 2025, segundo o Balanço Energético Nacional da EPE, é um deles. Além disso, nosso país pode ser visto como o destino perfeito por motivos robustos, como a proximidade de fuso horário com os mercados norte-americano e europeu, o que reduz atritos na gestão remota e agiliza a comunicação entre equipes.

Entretanto, ao passo que relato as vantagens desse movimento, também entendo que ele, por si só, não resolve todos os desafios que existem na cadeira de suprimentos. Um exemplo claro é a malha rodoviária: nosso país depende do modal rodoviário para realizar o transporte de cargas em grande escala. A dependência do transporte via caminhão pode ser insuficiente a depender da velocidade de entrega demandada. Isso sem levar em consideração problemas como a precariedade em estradas.

Para solucionar esta situação, é o modal aéreo quem toma a frente, resolvendo, em questão de horas, a transferência de uma peça ou insumo da região norte para o sul, por exemplo. Neste ano, a projeção de crescimento para esse modal é de 6%, superando a média global de 4%, o que nos mostra que a modalidade tem sido cada vez mais impulsionada pelo setor logístico e pelo e-commerce. Dessa forma, o modal aéreo torna-se indispensável para o modelo de nearshoring no Brasil. 


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O nearshoring pode ser um passo importante, mas o valor real da estratégia é determinado por milhares de decisões operacionais tomadas todos os dias. É por isso que a execução da cadeia de suprimentos precisa se tornar uma parte maior da conversa sobre fornecimento.

Além disso, ter uma visão conectada da execução é essencial, pois apenas saber onde o produto pode ser adquirido não é suficiente. As empresas precisam entender em detalhes o que está acontecendo em pedidos, estoque, armazéns e transporte, mapeando sinais e tomando decisões de imediato.

É exatamente por isso que a tecnologia possui um papel fundamental em todo esse processo, à medida que as empresas investem no real valor da transformação de informação em ação coordenada. Com o auxílio da IA, por exemplo, é possível identificar essas mudanças emergentes em demanda, capacidade, custo ou transporte.

Em relação a Execução Inteligente da Cadeia de Suprimentos, ter uma camada de inteligência ajuda a automatizar fluxos de trabalho complexos, como o contato com transportadoras, o processamento de pedidos, rastreamento de remessas e gestão de exceções. Dessa maneira, garantindo a redução de cargas de trabalho manuais, acelerando os tempos de resposta e melhorando a confiabilidade do serviço. E é esse instante entre identificar e agir que separa aqueles que realmente entendem da operação daqueles que não.

O nearshoring encurta a distância física entre oferta e demanda, mas a proximidade, por si só, não cria resiliência. Por isso, ter uma execução inteligente da cadeia de suprimentos é o que vai conectar os sinais gerados por essa cadeia e transformá-la em ação coordenada, com as empresas podendo monitorar em tempo real o que está acontecendo e aprender continuamente com cada resultado.

A vantagem real vai para quem souber transformar proximidade em execução, dado em decisão e decisão em resiliência.

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

Hélcio Lenz

Helcio Lenz é responsável pela Infios na América Latina. À frente das tendências, também lidera esforços para introduzir novas soluções no mercado da região, como E3PL, voz e robôs móveis autônomos (AMR). Já liderou projetos de sucesso em WMS, programação precisa, automação, entre outros.

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