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Willians Cintra    |   20/08/2026   |   Aço & Negócios   |  

“Dados são o novo petróleo”: podem impulsionar negócios, mas é preciso cautela com investimentos

Exclusiva

Para muitos players, entender como esses dados influenciam a estratégia de uma empresa ainda é um desafio

É com essa afirmação que inicio o primeiro artigo desta nova coluna, que traz um assunto que tem gerado algumas reflexões e possibilidades de expansão, de negócios e de operações, em diversos setores da economia, incluindo o industrial: a inteligência de mercado.

Sabemos que a análise de dados não é algo novo quando consideramos áreas de finanças e estatísticas. Mas é fato que ela vem transformando vários segmentos de atuação. Isso porque as tecnologias de pesquisa, avaliação e monitoramento têm possibilitado o acesso a informações e a tendências — muitas vezes não são possíveis de serem obtidas com agilidade e acuracidade por meio de um estudo humano — com diversos objetivos, da otimização operacional ao direcionamento de investimentos. E isto tem gerado mudanças no mercado, já que o processo é visto como o “mapa da mina” para o crescimento de empresas, e avançado sobre áreas chamadas “tradicionais”, que até pouco tempo atrás tomavam decisões com base em N fatores, como conhecimento tácito, a experiência provada no campo de atuação e até mesmo a intuição.

Para o front de distribuição de aço, uma das nossas áreas de atendimento, é fato que o movimento tem ampliado as possibilidades de estratégias e tomadas de decisões assertivas baseadas em informações concretas. Mas, para muitos players, entender como esses dados influenciam a estratégia de uma empresa ainda é um desafio.

Quando consideramos cenários de importação de matéria-prima, estocagem e abertura de novos mercados, por exemplo, as informações obtidas por meio de inteligência de dados são determinantes para viabilizar onde e quando será alocado um recurso.


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Com uma Swot (conhecido também como Fofa – Força, Oportunidade, Fraqueza e Ameaça), ferramenta que permite analisar os mercados internos e externos para melhor planejamento, é possível identificar, por análises qualitativa e quantitativa, onde a empresa tem maior ou menor potencial para destinar investimentos, minimizando riscos para sua operação.

Com o levantamento de dados também é possível fazer um estudo em quais mercados cada player tem melhores taxas de conversão, perspectiva de geração de valor e de rentabilidade — passos essenciais para o estabelecimento de um motor de precificação mais competitivo. Ainda possibilita identificar em quais áreas de atuação há maior concorrência e em quais concorre sem condição de gerar valor.

Como podemos ver, são muitos benefícios, e eles têm se mostrado essenciais para cada modelo de negócio, já que possibilitam reunir informações sobre o que a empresa destina ao mercado, como também do que o mercado traz de insights para a empresa. Essas informações são obtidas, muitas vezes, por meio de referências advindas dos próprios clientes, facilitando a geração de soluções tanto de negócio quanto de mercado.

Neste sentido, as tecnologias de análise mais do que apoiam a tomada de decisões também são um instrumento para evitar “armadilhas”.

É claro que todas essas vantagens têm gerado um frenesi no mercado, principalmente quando envolvem inteligência artificial (IA) na análise de dados. Temos visto que os benefícios são vendidos facilmente. E, para isso, também aproveito este espaço para chamar a atenção.

Atualmente, integro alguns núcleos de inteligência de mercado compostos por pessoas que são vanguardistas desse movimento no país, e temos verificado muitas empresas investindo grandes valores em inovações e projetos sem considerar que o retorno sobre investimento (ROI) ainda não está tão claro. Obviamente será contabilizado no fim do processo, mas quando se investe dinheiro em algo é em tempo real, não podemos esquecer disso e, na maioria dos casos, a rentabilidade será a médio e longo prazos.

Por isso, reforço: cada decisão exige estudo minucioso, planejamento e uma rigorosa análise de riscos. É preciso também que ela tenha uma base sólida em conhecimento de negócio e em conhecimento de mercado, para que a visão do board esteja clara sobre o que realmente cada projeto trará de vantagem para cada modelo de negócio. Há iniciativas que estão levando todos esses fatores em consideração e obtendo resultados muito positivos.

Em meio a esse movimento, também vale uma reflexão: o que representa maior risco, tomar decisões sem dados ou ter muitos dados e não saber qual decisão tomar? Com base na minha experiência, é preciso ter muito cuidado com o excesso de dados.

Muitas empresas passaram por uma fase de digitalização e, quando envolve a inteligência artificial, têm recebido muitas informações. Em muitos casos, aquelas que são apenas convenientes para o modelo de negócio. Neste sentido, existe o risco de o player achar que está totalmente informado, mas não conseguir encontrar o foco assertivo para o momento de mercado e isso pode impactar o ROI de projetos.

No contexto atual, a frase mais emblemática, na minha opinião, é: “Date is the new oil” (O dado é o novo petróleo), proferida pelo matemático Clive Humby. Ou seja, a riqueza é a informação. E a informação está nos dados, mas, como todo movimento de mercado, é preciso ter cautela, paciência, muita atenção, pesquisa e otimização de investimentos para a segurança e sustentabilidade dos negócios.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.
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Willians Cintra

Gerente nacional de produto e inteligência de mercado do Grupo Açotubo. Possui 16 anos de experiência no setor siderúrgico, liderando iniciativas focadas em vendas, estratégia, alta performance, governança corporativa, análise de dados e soluções para problemas de negócios. Tem formação em engenharia, MBA em Administração e Gestão de empresas, MBA em Análise de negócios, Big Data e Tecnologia da Informação e participou do Programa de Capacitação Profissional: Inteligência Artificial aplicada à transformação de negócios do MIT.

Aço & Negócios

Fundada em 1974, a Açotubo é uma das principais referências do setor siderúrgico brasileiro, com atuação em todo o território nacional e presença na América Latina. Além de suas unidades de Tubos e Aços, Aços Inoxidáveis e Soluções Integradas, o Grupo conta com um ecossistema de empresas formado pela Incotep, Trialle, Tirreno e Firenze, oferecendo soluções completas para toda a cadeia industrial. Sua presença internacional é reforçada pelas operações da Incotep Peru e da Incotep Colômbia.

O portfólio do Grupo contempla tubos de aço carbono e inoxidável, aços especiais, conexões, válvulas, flanges, chapas, perfis, sistemas de ancoragem, componentes industriais e soluções customizadas de engenharia, processamento e abastecimento industrial. Essa ampla oferta permite atender com excelência setores como agronegócio, mineração, energia, óleo e gás, sucroenergético, construção civil, infraestrutura, saneamento, papel e celulose, máquinas e equipamentos, automotivo e indústria de transformação.

Combinando expertise técnica, inovação, eficiência operacional e foco no cliente, a Açotubo transforma aço em soluções que impulsionam negócios, aumentam a competitividade das indústrias e contribuem para o desenvolvimento sustentável no Brasil e na América Latina.