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IA e cibersegurança impulsionam transformação da indústria de defesa brasileira

Estudo da CNI, ABDI e FIA-USP identifica mais de 120 tecnologias emergentes e aponta mudanças em processos, competências profissionais e organização do trabalho

A inteligência artificial, a cibersegurança e a engenharia digital estão entre as principais tecnologias que devem transformar a Base Industrial de Defesa brasileira nos próximos anos. A conclusão faz parte dos Cadernos de Prospectiva Industrial de Defesa, lançados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Fundação Instituto de Administração, da Universidade de São Paulo (FIA-USP).

A publicação reúne oito estudos sobre transformações tecnológicas, organizacionais e ocupacionais em segmentos estratégicos da indústria de defesa. A partir de análises de difusão tecnológica e impacto ocupacional, foram identificadas mais de 120 tecnologias emergentes, além dos novos perfis profissionais necessários para sua incorporação.

Os estudos abrangem os segmentos aeroespacial; munições, propelentes, explosivos, mísseis e foguetes; armas e equipamentos de controle de tiro; plataformas militares marítimas e fluviais; plataformas veiculares militares terrestres; defesa cibernética; sistemas C4ISTAR — redes integradas de comando, controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento — e uniformes militares.

Sistemas mais conectados mudam organização do trabalho

Segundo os estudos, a incorporação de tecnologias emergentes está levando a Base Industrial de Defesa de um modelo predominantemente baseado em plataformas físicas para um ecossistema digital, conectado, inteligente e intensivo em conhecimento.

Essa transformação também deve modificar a organização do trabalho. Atividades antes concentradas em processos operacionais tendem a incorporar funções relacionadas à integração e monitoramento de sistemas, análise de dados, tomada de decisão e gestão de ambientes mais complexos e conectados.


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Entre os conhecimentos apontados como relevantes estão engenharia de sistemas, tecnologias digitais, cibersegurança, confiabilidade, gestão do ciclo de vida, governança e gestão. Já entre as habilidades estão análise e integração de sistemas, análise de dados, resolução de problemas complexos e tomada de decisões baseada em evidências.

"A transformação da Base Industrial de Defesa não exige apenas novos conhecimentos técnicos. Ela demanda uma reconfiguração simultânea dos conhecimentos que estruturam a formação, das habilidades que sustentam a execução do trabalho e das aptidões que permitem atuar em ambientes caracterizados por elevada complexidade, integração tecnológica e incerteza. À medida que os sistemas de defesa incorporam inteligência artificial, automação e digitalização, cresce o valor estratégico das capacidades humanas que permanecem insubstituíveis: interpretar, integrar, decidir, adaptar-se e agir com responsabilidade", explica o gerente do Observatório Nacional da Indústria, Rafael Sousa.

Dependência tecnológica e competências estão entre os desafios

Os cadernos também identificam entraves para o desenvolvimento da indústria brasileira de defesa, entre eles dependência tecnológica externa, financiamento insuficiente e irregular, fragmentação da cadeia produtiva, escassez de competências e vulnerabilidades cibernéticas.

Em contrapartida, o estudo aponta oportunidades relacionadas à inovação tecnológica, ao fortalecimento da soberania tecnológica, à cooperação entre empresas, governo e instituições de ensino, ao desenvolvimento de talentos e ao avanço da defesa cibernética.

“Fortalecer a Base Industrial de Defesa significa preparar a indústria brasileira para as transformações que já estão em curso e para aquelas que ainda virão. Com esses cadernos, transformamos conhecimento e visão de futuro em inteligência para orientar políticas públicas, investimentos e decisões empresariais. Estamos falando de setores intensivos em tecnologia e conhecimento, fundamentais para a soberania do país e com grande capacidade de gerar inovação para toda a economia. Antecipar tecnologias, identificar as competências que precisaremos desenvolver e compreender nossas vulnerabilidades é essencial para construir uma indústria de defesa mais competitiva, resiliente e menos dependente de capacidades externas”, afirma o presidente da ABDI, Olavo Noleto.

Segundo dados do Ministério da Defesa citados na publicação, as exportações da Base Industrial de Defesa cresceram 29% no primeiro semestre, alcançando US$ 1,8 bilhão em autorizações para exportação. Os produtos brasileiros chegaram a 150 países por meio de 130 empresas exportadoras. A Base Industrial de Defesa e Segurança representa atualmente 3,41% do PIB brasileiro.

*Imagem de capa: Depositphotos.com