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Metade das indústrias não confia em sua estratégia de manufatura para os próximos três anos

Pesquisa global da Gartner revela que avanços em automação e robótica podem estagnar sem o redesenho agressivo das operações de manufatura

Quase metade das organizações industriais no mundo não confia em sua estratégia de manufatura para atingir os resultados esperados nos próximos três anos. A constatação é de uma pesquisa divulgada pela Gartner, empresa global de inteligência em negócios e tecnologia, que também aponta um risco significativo: sem a reformulação dos modelos operacionais, o avanço da automação e da robótica impulsionadas por inteligência artificial pode estagnar.

O levantamento, realizado com 128 líderes de manufatura e cadeia de suprimentos em maio de 2025, mostra que dois terços das empresas ainda não estão promovendo o redesenho necessário das operações para sustentar uma automação mais avançada — especialmente no uso de IA e robôs autônomos.

“Os CSCOs [Chief Supply Chain Officers, ou diretores de cadeia de suprimentos] visualizam um futuro próximo de automação avançada, em que as máquinas estarão envolvidas na maioria das tarefas, mas a maior parte dos modelos operacionais não está acompanhando o ritmo necessário para permitir essas prioridades estratégicas”, disse Simon Jacobson, vice-presidente de pesquisa na prática de Cadeia de Suprimentos da Gartner. “A liderança quer adotar capacidades futuras para aumentar a competitividade, mas 66% dos entrevistados afirmam que integrar a cadeia de suprimentos e a manufatura será o maior desafio dos próximos três anos. Essa realidade desconfortável deveria motivar os líderes a agir de forma mais agressiva para reinventar suas operações.”

Automação avançada como vantagem competitiva

 

O estudo destaca que a automação com mínima supervisão humana está entre as três principais capacidades que trarão vantagem competitiva até 2028. As empresas esperam um crescimento expressivo na proporção de tarefas industriais realizadas por máquinas, consolidando o papel da tecnologia como força motriz da produtividade e da eficiência.


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As organizações mais bem posicionadas estão alinhando seus modelos operacionais a capacidades voltadas para o futuro e removendo barreiras legadas que impedem ganhos de agilidade e integração. O levantamento indica ainda que empresas em que as equipes de manufatura respondem ao Chief Supply Chain Officer (CSCO) têm 68% mais chances de apresentar melhor coordenação, velocidade e integração do que aquelas subordinadas ao Chief Operating Officer (COO).

Novo modelo de governança para a fábrica do futuro

 

e acordo com a Gartner, a governança da manufatura precisa ser redefinida. Estruturas organizacionais antigas, excessivamente focadas no controle de custos, podem travar a capacidade das empresas de responder rapidamente às oportunidades.

A consultoria recomenda três ações essenciais para preparar as operações industriais para o futuro:

  • Redefinir o papel dos gestores de planta – empoderando-os a usar dados e IA para otimizar o desempenho, em vez de manter modelos hierárquicos de comando e controle.
  • Modernizar e padronizar sistemas de produção – integrando tecnologias emergentes, fortalecendo a integração entre unidades e capacitando equipes com KPIs e programas digitais.
  • Rever os direitos de decisão – aproximando a autoridade do ponto de execução, com suporte da automação e da robótica, para garantir agilidade e colaboração entre humanos e máquinas.

A Gartner reforça que essas mudanças são decisivas para a construção da “fábrica do futuro”, baseada em integração digital, autonomia operacional e tomada de decisão orientada por dados.

*Imagem de capa: Depositphotos.com