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Investimento esportivo bate recorde no Brasil, aponta estudo

Aportes federais crescem 128% desde 2019, e nova receita das bets passa a integrar o financiamento do setor

investimentos no esporte

O investimento federal em esporte e lazer no Brasil somou, em média, R$ 1,75 bilhão por ano entre 2023 e 2026, alta de 128,16% em relação à média de R$ 767,1 milhões registrada entre 2019 e 2022. Os dados fazem parte do estudo Placar Brasil, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (Ipie), vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com o Ministério do Esporte.

O levantamento, divulgado pelo Metrópoles, aponta crescimento em praticamente todas as frentes de financiamento público ao esporte. O valor médio anual destinado a obras e equipamentos esportivos subiu 108,29%, passando de R$ 254,9 milhões para R$ 530,9 milhões. O número médio de projetos cresceu 30,5% e o valor médio investido em cada um deles avançou 59,5%, enquanto o país registrou aumento de 59,21% na quantidade de núcleos esportivos implantados.

Novas fontes de receita

Parte da expansão orçamentária tem origem em fontes de financiamento mais tradicionais, como a Lei de Incentivo ao Esporte — mecanismo que permite a pessoas físicas e jurídicas destinar parte do Imposto de Renda a projetos esportivos. O número de projetos apresentados por meio da lei passou de 2.117 para 5.033 por ano, alta de 137,71%, e o volume de recursos captados avançou de R$ 489,8 milhões para R$ 1,15 bilhão anuais.

Mas uma fonte mais recente também passou a compor esse financiamento. Desde a regulamentação do mercado de apostas esportivas de quota fixa, em vigor desde janeiro de 2025, a Receita Federal arrecadou R$ 9,95 bilhões em tributos do setor ao longo do ano, e apenas no primeiro trimestre de 2026 a arrecadação somou R$ 3,4 bilhões, crescimento de 123,7% em relação ao igual período do ano anterior. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o Ministério do Esporte recebeu R$ 875 milhões provenientes dessa arrecadação, valor próximo ao repassado ao Ministério do Turismo, de R$ 883 milhões, no mesmo período.


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O movimento acompanha uma tendência mais ampla de ampliação dos recursos destinados a políticas públicas de investimento no país. Outros programas federais também tiveram aportes reforçados nos últimos meses, caso da Nova Indústria Brasil, que recebeu mais R$ 140 bilhões adicionais para investimentos até o fim de 2026, elevando a política industrial a mais de R$ 750 bilhões disponibilizados desde 2023.

A regulamentação do mercado de apostas, conduzida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, exige que as operadoras autorizadas mantenham sede e operação no Brasil. No início de 2025, 66 empresas haviam obtido a licença, cada uma mediante o pagamento de uma outorga de R$ 30 milhões à União.

Alíquota em alta

A alíquota sobre a receita bruta de jogos das operadoras, hoje em 12%, deve subir para 13% em 2026, alcançando 15% até 2028, segundo cronograma aprovado pelo Congresso. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, o aumento de um ponto percentual na alíquota deste ano deve adicionar R$ 850 milhões à arrecadação federal, reforçando a tendência de crescimento dessa fonte de receita nos próximos exercícios orçamentários.

Com o Brasil sediando a Copa do Mundo, a expectativa é de aumento no volume de apostas e, por consequência, na arrecadação tributária do setor ao longo do ano. O futebol já é, disparado, a principal força desse mercado: segundo uma bet, o esporte concentrou 90% do volume total apostado no país em 2024, o que ajuda a explicar por que grandes torneios internacionais tendem a impulsionar tanto o consumo nas plataformas quanto a receita fiscal recolhida pelo governo federal.

Para especialistas do setor público, a diversificação das fontes de financiamento é vista como um fator que pode ajudar a sustentar o ritmo de investimento em infraestrutura esportiva observado nos últimos anos, ainda que a manutenção desse fluxo dependa da evolução regulatória e do combate ao mercado ilegal de apostas, que hoje responde por até 51% do volume total do setor, segundo estudos setoriais.


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