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O processo de corte está na origem de grande parte das cadeias produtivas industriais
Dentro do contexto de avanço da indústria 4.0 no Brasil e no mundo, uma pesquisa recente da Intel aponta que o uso estratégico de tecnologia pode elevar a produtividade industrial em até 38% – em alguns setores, como de bens e consumo, esse índice chega a 58%.
O dado ajuda a dimensionar o tamanho da oportunidade que se coloca hoje para o setor industrial crescer em eficiência, qualidade e competitividade em um ambiente pressionado por custos, prazos cada vez mais curtos e exigências regulatórias mais rigorosas. Nesse contexto, há um componente estrutural muitas vezes esquecido nas análises de mercado, mas absolutamente central para esse salto de desempenho: as tecnologias de corte.
O processo de corte está na origem de grande parte das cadeias produtivas industriais. É ali que a matéria-prima começa a ganhar forma, precisão e função. Qualquer imprecisão nesse estágio inicial se propaga ao longo do processo produtivo, comprometendo qualidade final, aumentando retrabalhos, elevando desperdícios e, em muitos casos, colocando em risco a segurança do produto e do operador.
Por isso, tratar o corte apenas como uma etapa operacional é um erro estratégico. Hoje, precisão, repetibilidade e inteligência nesta atividade são fatores decisivos para a competitividade industrial.
A evolução das tecnologias de corte, também em linha com o avanço da indústria 4.0 nas últimas décadas, mudou radicalmente esse cenário. Equipamentos isolados deram lugar a sistemas integrados que combinam automação, softwares embarcados, sensores inteligentes e análise contínua de dados. O resultado é um nível de controle do processo que permite padronização, previsibilidade e eficiência operacional em escala.
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Mais do que cortar mecanicamente materiais, essas tecnologias passaram a “ler” o processo, ajustando parâmetros em tempo real, reduzindo variações e antecipando falhas antes que elas se tornem um problema produtivo ou financeiro.
No setor metal mecânico, por exemplo, a precisão no corte influencia diretamente a qualidade dimensional das peças, o desempenho estrutural e a vida útil de componentes que operam sob alta carga ou em condições extremas. Um corte milimetricamente impreciso pode comprometer encaixes, gerar tensões indevidas e acelerar processos de fadiga de equipamentos. E, com tecnologias avançadas de corte, integradas a sistemas de controle e simulação, é possível garantir repetibilidade mesmo em grandes volumes, reduzindo perdas de material e assegurando padrões rigorosos de qualidade.
Na indústria automotiva, onde segurança, confiabilidade e escala caminham juntas, o impacto é ainda mais sensível. Processos de corte inteligentes permitem não apenas maior precisão geométrica, mas também rastreabilidade e padronização ao longo de toda a produção. Isso significa menos variação entre peças e redução significativa de retrabalhos.
Já na construção e nos bens de capital, a tecnologia de corte influencia diretamente a performance, estabilidade e a durabilidade dos empreendimentos. Perfis metálicos, chapas, tubos e componentes estruturais exigem cortes precisos para garantir resistência e segurança em obras e equipamentos de grande porte. Nesse contexto, a adoção de soluções automatizadas e inteligentes reduz erros humanos, melhora o aproveitamento de materiais e contribui para prazos de entrega mais confiáveis, um diferencial relevante em projetos complexos e de alto custo.
Finalmente, no setor de energia — incluindo óleo e gás, renováveis e infraestrutura elétrica — a inteligência no corte assume um papel estratégico adicional. Componentes operam sob condições severas de pressão, temperatura e corrosão, o que exige precisão absoluta desde a etapa inicial de fabricação. Tecnologias de corte integradas a processos produtivos e sistemas inteligentes permitem ajustes finos conforme o material, o ambiente e o uso final da peça, reduzindo riscos operacionais e aumentando a confiabilidade de ativos críticos.
É importante destacar, por fim, que falar em “inteligência no corte” vai muito além da escolha de um equipamento mais moderno. Trata-se de uma abordagem sistêmica, que envolve decisões técnicas mais assertivas, integração com outras etapas do processo produtivo e uma visão de longo prazo sobre eficiência, inovação e sustentabilidade industrial. Quando o corte está conectado a sistemas de planejamento, controle de produção e qualidade, a indústria passa a operar de forma mais preditiva, e não apenas reativa.
Essa inteligência também tem impacto direto na sustentabilidade. Processos de corte mais precisos reduzem desperdícios de matéria-prima, diminuem consumo energético associado a retrabalhos e reduzem a geração de resíduos industriais. E, em um cenário em que sustentabilidade deixou de ser apenas um discurso e passou a integrar métricas de desempenho, investir em tecnologias de corte eficientes é uma decisão não apenas operacional, mas de posicionamento de mercado.
Ao conectar esse movimento ao dado de que a tecnologia pode elevar a produtividade industrial em até 58%, vale observar que a transformação começa em decisões técnicas fundamentais, como a forma de cortar, moldar e preparar materiais. A competitividade da indústria do futuro será construída por quem souber conectar tais decisões com tecnologias e processos capazes de garantir diferenciais dentro de um cenário econômico cada vez mais disruptivo e exigente.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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Taíse Albano
Gerente de Engenharia de Processos da Starrett
A Starrett é referência global na fabricação de ferramentas e instrumentos de medição de alta precisão. Com mais de 140 anos de história, a empresa oferece soluções inovadoras e confiáveis para diversos setores, como indústria, construção civil e automotivo. Reconhecida por sua qualidade superior, a Starrett se destaca no mercado por sua ampla linha de produtos, incluindo serras, micrômetros, paquímetros e medidores. Com presença em mais de 100 países, a empresa mantém o compromisso de entregar excelência, precisão e desempenho aos seus clientes, sendo sinônimo de tradição e tecnologia.
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