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A crescente dúvida com que temos convivido é a falta de mão de obra qualificada no Brasil, afetando vários setores da economia, mas principalmente a indústria, que demanda um volume maior de profissionais com qualificação técnica. Nesse contexto, a notícia de que humanoides já se encontram à disposição para executar tarefas industriais pode vir a trazer algum benefício.
Em recente notícia, a UBTECH Robotics (chinesa) confirmou que centenas de humanoides modelo WALKER S2 foram enviados para instalações industriais em operação. A empresa está recebendo grande interesse de grupos que desejam automatizar tarefas que normalmente exigem pessoas que ficam em pé o dia todo. Ela garantiu 800 milhões de yuans em encomendas este ano, o que equivale a cerca de US$ 113 milhões. Esses contratos variam de instalações especializadas a grandes implantações em larga escala.
As montadoras são uma das principais forças por trás da crescente demanda. BYD, Geely Auto, FAW Volkswagen e Dongfeng Liuzhou Motor já aderiram à iniciativa. A Foxconn também está adicionando robôs para auxiliar no trabalho de logística. As encomendas dos humanoides da UBTECH ultrapassaram os 800 milhões de yuans, à medida que grandes fabricantes e empresas de tecnologia os utilizam para trabalho industrial ininterrupto.
O sistema de troca de baterias confere ao Walker S2 uma vantagem competitiva. A empresa acredita que seu sistema de baterias é o ponto forte do modelo: o robô consegue remover e substituir sua própria bateria em poucos minutos, sem necessidade de intervenção humana. Isso reduz o tempo de inatividade e permite longos turnos de trabalho que envolvem caminhadas e levantamento de peso constantes.
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Enquanto tudo isso acontece, aqui temos notícias desencontradas sobre a utilização da mão de obra. A indústria, sem conseguir encontrar o melhor caminho para se tornar mais competitiva em um ambiente global de grandes mudanças comerciais, segue em busca de trabalhadores qualificados, enfrentando extrema dificuldade para motivar o simples humano a se qualificar para fazer parte da economia formal e contribuir para o crescimento da economia interna.
O crescente aumento de benefícios sociais, utilizados em paralelo às atividades informais, criou um círculo vicioso que incentiva o desemprego formal. O IBGE divulgou nesta sexta-feira, 28/11, os dados da Pnad Contínua, indicando que a taxa de desemprego para o trimestre encerrado em outubro atingiu 5,4%. Vale lembrar que a taxa é calculada não pelo número total de desempregados, mas pelo número de pessoas que procuram emprego. Essa queda anualizada no número de desempregados, de 788 mil, coincide com o aumento do trabalhador por conta própria, que cresceu 771 mil no mesmo período. Os números do setor privado seguem em torno de 52,7 milhões de trabalhadores, sem variações significativas.
Incentivar a busca pelo trabalho formal, principalmente nas indústrias — que operam com horários de quase nenhuma flexibilidade —, segue sem solução exitosa. Embora a indústria tenha que suportar custos obrigatórios cada vez maiores, os rendimentos líquidos dos trabalhadores com carteira assinada ficam em desvantagem quando comparados aos dos autônomos ou informais, que juntos representam 64,7 milhões de pessoas.
É um cenário perde x perde: perde a indústria com a falta de mão de obra qualificada; perde o trabalhador autônomo ou informal, que não tem garantias para o futuro ou aposentadoria; perde a Previdência Social com menos contribuições; perde o Brasil em capacitação e competitividade internacional.
Se admitirmos que humanoides poderão ser uma solução para a escassez de mão de obra, precisamos analisar a questão sob duas visões distintas. De um lado, há a vantagem de um humanoide — disponível 24 horas por dia, o ano inteiro, sem interrupções — programado para substituir um trabalhador humano. De outro, corre-se o risco de termos um exército de humanoides parados por falta de profissionais qualificados para mantê-los funcionando e programados.
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Carlos Eduardo de Sá Baptista
Presidente do CEM Rio
CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
O SINMETAL – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas no Município do Rio de Janeiro foi fundado em 09 de setembro de 1937. Sua História é de glórias! Apesar das várias transformações vividas ao longo de sua existência, pode-se afirmar, pela leitura de seus arquivos, que é verdadeira fonte da História Industrial Brasileira e até hoje, mesmo diante dos momentos mais difíceis, das crises econômicas, políticas e sociais que o Brasil e o Rio de Janeiro sofreram, nestes 86 anos de sua existência, os princípios que nortearam a Entidade sempre foram os da transparência, da ética e de muita luta em busca de uma economia estável, da geração de renda e emprego, do crescimento industrial, do bem-estar social e do fortalecimento das empresas, independentemente do seu tamanho, faturamento ou condição econômica.
Em 2021 o SINMETAL criou o CEM RIO, um Comitê Empresarial referência para interação dos negócios no Rio de Janeiro, agindo como um fórum de discussões, sugestões e busca de soluções para o segmento.
Em 2022, o Comitê passou a ser considerado como um Centro Empresarial e o nome CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO foi aprovado para constar do Estatuto da Entidade como seu nome de marca. Na prática, portanto, será conhecido como CEM RIO e dele poderão participar empresas metalúrgicas e outras que exerçam atividades afins ou com interesses similares, que desejarem participar do CEM RIO.
Assim todas as atividades sociais serão conduzidas pelo CEM RIO, um nome que nasceu forte, um Centro que reúne empresários com o objetivo principal de fortalecer as micros, pequenas, médias e grandes empresas.
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